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domingo, 24 de maio de 2020

Relato: Visitei uma realidade paralela

Imagem enviada por leitora via email


Oi, eu sou a Bruna (nome fictício) e atualmente tenho 18 anos. Vim aqui contar um relato pra vocês (com foto), a história é longa. 
       Não sei se você se lembra, mas ontem dia 5 de maio, eu escrevi no blog "adancadasfadas" um comentário em anônimo perguntando sobre velas e incensos no último post (se não me engano, mas se não foi no último, foi no penúltimo post) acredito que nesse exato momento meu comentário ainda não foi publicado. Nesse mesmo comentário eu mencionei que já tentei contatar os elementais uma vez e que não havia dado muito certo. 
          Enquanto eu lia o post e digitava meu comentário eu estava pensando o porque de eu não ter tido resultados com o ritual, porque não sonhei nem nada. Pois bem, algum tempo atrás eu li o relato daquela moça que falava especificamente sobre os djinns e achei bem interessante e assustador, mas não liguei muito pra isso. Depois disso, mais algum tempo (tem mais ou menos 1 mês/1 mês e meio que  isso aconteceu) se passou e eu decidi fazer uma coisa que eu já estava querendo fazer há muito tempo. Tentei contatar os elementais com uma vela barata, sem experiência nenhuma, simplesmente fui lá e fiz. Estava de dia e eu esperei todos saírem até eu ficar sozinha em casa, acendi uma vela branca em um prato branco com fundo florido e coloquei uma música antiga (aquelas de nórdicos) na esperança de atrair eles. Mas não foi só isso, quando acendi a vela (acendi no fogão, totalmente errado isso), antes dela ficar acesa ela ficava apagando toda hora e não tinha sinal de vento por perto porque eu me certifiquei disso, como se ela não quisesse ser acesa, enfim, mas depois que ela finalmente acendeu não apagou mais. E a vela depois de acesa estava parada não se movia, nem pra cima nem pra baixo e nem pros lados, então eu resolvi colocar a música e ela começou a se mover como se estivesse dançando, mas eu ficava trocando a música toda hora, estava com raiva porque algumas não me agradava.
         A todo momento eu ficava conversando com a vela, meu gato estava do meu lado, ele até se queimou com a vela (foi um acidente, mas ele está bem atualmente). Porém eu falei coisas aleatórias, mas fui sincera. Chamei pelos seres elementais do bem e os convidei para a minha casa, disse que eles seriam bem vindos, disse que a vibração da minha casa e da minha família era muito negativa e pesada (e realmente é mesmo, não precisa ser nem bruxa pra sentir isso) e por isso eles poderiam se apresentar a mim através de sonhos ou então na natureza, mas que não era para me assustarem porque eu sou medrosa, disse que queria a amizade deles. Depois eu comecei a duvidar daquilo que estava fazendo e comecei a dizer que não sabia se eram realmente os elementais que estavam ali, mas que eu sabia que tinha gente me observando e comecei a falar sozinha como se eu estivesse desabafando. Eu fiz isso na esperança de atrair elfos, fadas ou duendes e gnomos, mas acho que atraí outra coisa. A vela demorou a acabar. Mas eu tirei algumas fotos do que estava fazendo e saiu algumas imagens estranhas, a que mais me intrigou foi uma que saiu meia embaçada mas que parecia ser a aparição de um silfo. Pelas chamas da vela eu deduzi que ele não tinha pernas e era como se o braço dele na foto estivesse cruzado. Eu achei que era um silfo. Mas não dá pra ver muita coisa tá muito embaçado infelizmente. E eu não tive sonho nenhum e não notei  nenhuma diferença ao meu redor desde então, até agora. 
        Hoje, exatamente às 5:03 da manhã é o horário que eu acordei assustada e que comecei a escrever esse relato. Pra começar eu não consegui dormir, ficava me mexendo pra lá e pra cá, até que finalmente eu dormi e tive um sonho estranho. Meus pais e eu estávamos se mudando, não lembro exatamente o motivo e no meio do caminho pra nossa nova casa meu pai encontrou uma adolescente grávida que supostamente seria a filha dele, eu fiquei com raiva porque meu pai já tem outra filha fora do casamento e ele parecia estar bastante animado com a ideia de ser pai dessa garota que ele nem conhecia e apareceu do nada, então eu perguntei se ele também pretendia abandoná-la igual fez com a outra filha (eu disse outras coisas que não me lembro mais agora) e ele decidiu dar carona pra essa garota. Acabou que a gente chegou no nosso destino e duas mulheres (que eu conheço na vida real mas que agora não me lembro quem são) cumprimentaram a gente e ficamos conversando e novamente eu fiquei com raiva e briguei com ele, dessa vez por causa de comida. Acabou que essa minha suposta irmã (ela era um doce, queria muito que fosse verdade) levantou e disse no meu ouvido que iria fazer um achocolatado pra mim e sorriu e ela fez mesmo, várias sobremesas. Depois apareceu umas nuvens negras com trovoadas e eu perguntei o que era aquilo e as duas mulheres falaram que a noite estava chegando. Pois bem, ficou de noite do nada e aquele local parecia estar muito vazio e eu estava com mal impressão daquele lugar, até que minha mãe falou que um amigo estava me chamando, mas eu questionei e disse que não conhecia ninguém dali e saí para ver quem era. E realmente eu conheço aquele garoto na vida real, mas no sonho fazia tempo que a gente não se via, ele tinha desaparecido, eu percebi que o local onde a gente estava morando era o mesmo local que eu moro hoje, mas numa versão mais sombria, era tudo escuro e por mais que tivesse pessoas (poucas) na rua, as pessoas pareciam viver com medo e aquele lugar tinha um ar de vazio e frio. Esse menino começou a conversar comigo e eu questionei a semelhança desse lugar com o lugar que eu moro atualmente e ele disse que as pessoas falavam que ali é a versão sombria, ele disse que de vez em quando fica ali por causa da vó dele. Aí ele foi embora com os meninos que estava com ele. E eu fui andar pelo lugar sombrio. Notei duas pessoas estranhas, eles pareciam ser guardas daquele local, mas as pessoas falavam que eles eram moradores porém eu sabia que tinha algo de maligno e sobrenatural neles. 
          Era um homem negro, gordo, olhos negros, terno. E uma mulher negra, cabelo liso, olhos negros, terno. Todos 2 eram bonitos, mas não falavam nada, só olhavam. Se fosse só isso tudo bem, mas o homem era estranho e a mulher também, o homem só ficava sentado num banco observando as coisas e ele me olhava bastante porque ele sabia que eu sabia de algo sobre eles e a mulher parecia ficar andando pelo local, eu zuei um pouco com eles e falei pra eles tirarem aquela expressão séria do rosto, mas eles pareceram não ter gostado. Eu sabia que eles sabiam que eu sabia sobre eles porque quando o homem olhava pra mim, eu não via os olhos dele normal, eu via os olhos todo preto e ele parecia dizer com o olhar "você sabe o que a gente é, mas não vai durar muito tempo aqui", ele ficava olhando de rabo de olho pra mim. Tava tendo aniversário nesse local e eu notei um bando de garotos sentados e eu perguntei se ali ficava sempre de noite e se era sempre com essa sensação de vazio. E eles disseram que sim, na mesma hora eu fiquei assustada e comecei a falar que aquele lugar era uma maldição, que era assombrado e que aquele homem e aquela mulher eram djinns e aí eu acordei com medo. Detalhe, essa não é a primeira vez que eu sonho com esse lugar sombrio. Já sonhei outras vezes que onde eu moro atualmente era uma versão sombria e era sempre de noite com a sensação de vazio, igual nesse sonho, mas diferente desse sonho as pessoas não me conheciam e eu falava que estava em uma realidade paralela. O sonho parece não ter sentido, mas foi assustador. Você já ouviu falar de doppelganger? Aquele lugar era assim, mas ao invés de ser a versão maligna de uma pessoa, era a versão sombria de onde eu moro. 
         Se quiserem publicar esse relato no blog, fiquem a vontade. Mas o que vocês acham que foi isso? Pode não ter sido nada, apenas um sonho qualquer, mas eu acordei com a sensação que eram djinns e que eles estava mandando um aviso pra mim ficar esperta ou algo do tipo. Eu nunca tive nenhum tipo de interesse em djinns e se for mesmo um, quero saber como me livrar deles porque pelo sonho eles não parecem ser gente boa não. ©


(Relato respondido por email)
Envie também seu relato para: adancadasfadas@gmail.com

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Relato: Cativa Dos Djinns

Oi? Sou eu, novamente, a Anna Brenda e esse é o meu segundo relato sobre Djinns e considero o mais assustador até agora. 
       Como eu fui bem recebida pelos Djinns azuis no astral, pensei em me arriscar com os verdes e me arrependi por isso depois da experiência traumatizante que tive. Eu sonhei que estava em casa com meus pais e meu namorado quando umas pessoas estranhas invadiram nossa casa e foram muito violentas. Eu lembro do meu pai tentando me convencer a me esconder e eu corri para o salão que usamos como depósito ou como um tipo de porão e me escondi atrás de umas caixas velhas. Ouvi muitos gritos e quando percebi já havia sido encurralada por um casal que usava máscaras semelhantes aquelas que os psicopatas do filme Os Estranhos usam. Eles estavam armados com facas e eu nunca senti tanto medo na vida. Reagir nem passou pela minha cabeça porque eu temi pelo meu bebê (estou grávida de três meses). Só consegui chorar e tocar a minha barriga em uma tentativa inútil de proteger meu filho. Algo esquisito aconteceu a seguir e tudo a minha volta mudou, assumindo outro aspecto. Não sei se é assim que funciona um teleporte na realidade, mas se for, é bizarro porque você não sente que saiu do lugar, mas como se o lugar mudasse, sabe? É como se tudo à sua volta não fosse sólido, mas uma projeção.
           Eu apareci em uma vila, no quintal de uma casa, agachada embaixo de uma janela aberta. O casal se aproximou de mim e me encarou, antes de tirarem as máscaras que escondiam seus rostos. Eles eram adolescentes e deviam ter entre 14 e 16 anos. Eram esquisitos como se estivessem drogados ou tivessem algum retardo normal, ou talvez, o fato de não serem humanos começasse a pesar, mas eles não eram normais. Tudo parecia uma brincadeira - de mau gosto - para eles. Perguntei o que eles haviam feito com minha família e eles responderam que eles estavam mortos. Perguntei o que eles fariam comigo e eles me disseram que esperariam a mãe deles voltar para decidirem, mas que quanto ao meu bebê, eles me fariam ingerir um veneno para matá-lo. Entendi que eles me dariam alguma substância abortiva e fiquei aterrorizada. Me levantei sem fazer movimentos bruscos e me movi pelo quintal. À minha esquerda, havia um pequeno corredor e um portão que levava a outro corredor e outro portão que dava acesso à rua. Eu estava em uma vila simples, mas bem vigiada. Pela janela, vi um casal discutindo, mas por algum motivo não consegui ouvir nada do que eles diziam mesmo eles gritando, exaltados. Talvez, o medo estivesse me deixando maluca. 
      Retornei para perto dos adolescentes e eles estavam revirando uma caixa com alguns pertences que reconheci como sendo meus. Entre algumas bijuterias, eles acharam um livro do Crepúsculo que comprei em oferta, mas nunca terminei realmente de ler porque preferi vero filme e poupar meu tempo. Quando notei o interesse deles pelo livro, fiz uma breve descrição dele, na esperança de que se eu fosse legal com eles, talvez, eles poupassem pelo menos meu filho. O garoto disse que conhecia o filme, mas que ainda não sabia como terminava. Eu perguntei a eles se gostariam de saber como terminava. A garota disse que preferia assistir o filme, mas o garoto se mostrou ansioso e disse que gostaria de saber. Eu disse que diria somente a ele para não fazer spoiler a garota e pedi que ele se aproximasse. Ele se aproximou e eu sussurrei o final do filme no ouvido dele. Ele achou legal e se afastou satisfeito. Eu recuei e olhei novamente para o portão, tentando calcular em quanto tempo eu conseguiria correr até ele e escalá-lo e se seria rápida o bastante ou se me feriria no processo. O homem que estava na casa, discutindo, saltou pela janela e ele dobrou de tamanho, assumindo a forma de um homem obeso e azul, que da cintura para baixo tinha seu corpo feito de névoa azul. Um típico djinn, sem sombra de dúvida. Olhei para os adolescentes e deduzi que eles fossem djinns verdes e então o comportamento maluco deles fez sentido. Fechei os olhos com força e desejei acordar, mas os abri e percebi o que aquele lugar era tão real quanto a minha realidade e que talvez, só talvez, eu não estivesse sonhando. Me lembrei dos djinns do relato anterior e pedi mentalmente a eles que me ajudassem se pudessem. No mesmo instante, eu senti que estava livre e me afastei dos outros djinns que viraram o rosto como se estivessem com medo de algo. Eu fui até o portão e o encontrei quebrado. Estranhei porque não ouvi ninguém quebrando o portão, mas passei por ele e despertei. Me sentei na cama e pisquei várias vezes, com dificuldade em separar o sonho da realidade porque eu podia sentir como aquilo fora real. Espero não passar mais por algo semelhante. ©

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Relato: Visitei a vila dos djinns azuis


Olá, autoras lindas? Eu sou a Anna Brenda e já sigo o blog há algum tempo, mas só agora reuni coragem para finalmente enviar meu relato, ou o melhor... Relatos, porque é mais de um. Não se preocupem porque enviei todos separados (espero que possam publicar todos no blog). Eles não são longos, mas acho que são bem interessantes e por isso queria compartilhar com vocês.
          Bem, eu cresci vendo Aladdin e já li todo livro de Djinn que consegui encontrar. Até agora, o meu preferido é o Golem e o Gênio, que inclusive recomendo a todos. Apesar dos relatos que já li sobre esses seres, nunca os considerei maus, acho que houve muita injustiça com eles, mas voltando ao relato... Eu acendi uma vela azul à noite e ofereci um pouco de cerveja para eles, expressando meu desejo de atrair um djinn benévolo. Não achei que fosse funcionar. Funcionou, no entanto.
        Sonhei que cheguei em um acampamento em um lugar deserto e fui recebida por um grupo de mais ou menos doze pessoas, não me lembro bem, então, poderia ter sido mais... Eles eram todos bonitos, com a pele muito clara, cabelos negros, e olhos muito azuis que quase brilhavam. Eles se vestiam de forma estranha que só posso pensar em comparar com ciganos, mas não era bem isso... Desculpem? É difícil lembrar de todos os detalhes quando tento. Eles estavam divididos em duas fileiras, dispostos em cada lado como casais. Lembro que eles sorriram para mim e depois um deles tocou algum instrumento enquanto os outros dançaram alegremente. Acho que dancei com eles também. Enquanto eles dançavam, senti uma energia muito boa me preencher, mas durou pouco porque de repente, eles desapareceram, deixando redes e tendas para trás, e eu me vi sozinha em um acampamento no meio do nada. O estranho foi que somente então, eu reparei que tudo parecia abandonado, além de sujo... Tinha fezes espalhadas por toda parte. Eu fiquei com muito nojo. Despertei. Outro dia, quando pesquisava mais sobre djinns, eu li que eles vivem em lugares sujos, é verdade. Eu nem imagino porque eles sumiram, talvez, tenham pressentido a presença de outros djinns que possam ser inimigos deles ou se tratasse de uma ilusão projetada por outro djinn, já que eles são mestres da ilusão. ©


*Nota da Lily:
O relato foi respondido por email.

Envie seu relato também para adancadasfadas@gmail.com

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Relato: Assombrada por Djinns

Olá Giovanna, Lily, Nielee e Karina. Podem me chamar de Nádia, não é  meu nome real, mas prefiro me manter no anonimato enquanto não compreendo o que se passa comigo. Sou de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, como vocês, e amo nossa cidade tão encantadora e acolhedora com os imigrantes. Meus pais vieram do Marrocos para cá quando eu era bem pequena, então, não tive muita dificuldade em me adaptar. Mantemos alguns de nossos costumes, mas meus pais amam o Brasil e nem pensam em retornar ao Marrocos. 
           Sempre tive curiosidade sobre fadas e djinns, mas meus pais nunca gostaram que eu sequer mencionasse essas palavras porque sempre acreditaram que esses seres poderiam ser atraídos se os chamasse em voz alta, então, eu tinha medo. No entanto, quando completei dezesseis anos, eu me senti mais e mais atraída por esse mundo mágico e quando dei por mim, já estava comprando ebooks e pesquisando em sites sobre como invocar essas forças. Eu nunca duvidei que fossem todos reais, nunca, mas eu precisava vê-los para confirmar. Tentei várias vezes persuadir meus pais a me contarem como contatar os djinns, mas eles sempre desconversavam ou brincavam, perguntando se eu queria me casar com um. Sim, humanos podem se casar com djinns, tem cerimônias especiais para isso, eu não sei como funciona, só sei que é possível, embora, eu ache estranho e não sei se teria coragem para isso.
         Eu fiz um ritual que minha tia me ensinou quando estava bêbada e ela nem lembra mais de ter me ensinado, mas enfim, pensei que não tinha dado em nada, quando em uma noite, meus primos e eu estávamos sozinhos em casa à noite, assistindo a um filme enquanto nossos pais estavam ajudando na Mesquita. Eu me lembrei dos djinns do nada e pensei que era mesmo besteira, lendas antigas e bobas para assustar crianças e viajantes solitários quando meus primos e eu ouvimos uma pancada forte no alto do teto na varanda. Quis pensar que fosse um gato, mas foi um barulho tão alto como de uma pessoa caindo do alto, sabem? O que quer que tivesse desabado, deu a volta na casa rapidamente e pareceu saltar no telhado dos fundos, próximo ao banheiro, aí o barulho foi mais forte. Nós levantamos apressados, mas não ousamos abrir as portas ou janelas porque já era noite e moramos em um bairro perigoso onde não é incomum que aconteça assaltos. Vivemos aqui há anos. A casa é própria e meus pais gostam daqui e são amigos de todos os vizinhos. Temos um cachorro. E meu pai sempre diz que Alá nos protege e que não devemos temer nada. Aquela noite, eu temi e como temi. Um dos meus primos, acreditando que fosse mesmo um ladrão, tentou intimidá-lo, dizendo que tinha uma arma e que atiraria se ele entrasse. O barulho cessou por alguns minutos, mas depois retornou como uma pancada na parede do banheiro. Acendemos a luz da varanda dos fundos, mas o quintal continuava escuro e ninguém iria querer ir acender a luz dos fundos porque teria que deixar a casa e ir até a casa do meu tio nos fundos. O cachorro estava na sala com a gente e latia como louco. Também não abrimos a porta para soltá-lo mesmo que ele fosse grande porque tudo o que tínhamos era um cachorro e as facas que pegamos na cozinha, e só para vocês entenderem nosso desespero, os bandidos aqui entram armados nas casas, batem, estupram e levam o que podem, nem a luz do dia os intimida. Eu só queria chamar a polícia ou nossos pais, mas meus primos disseram que era melhor esperar senão o pai e o tio poderiam ficar bravos se chegassem e não fosse nada.
        Alguns minutos que pareceram longos se passaram e quando já estávamos convencidos que o barulho fora apenas um gato ou dois, algo esbarrou na porta dos fundos ou o melhor na grade da porta - nossas portas tem grades móveis embaixo para o cachorro não entrar para dentro às vezes - e aí sim, nos apavoramos e enquanto um dos meus primos ligava para o pai, e o outro ameaçava novamente aquele intruso, eu arrastei a máquina de lavar na porta por garantia, fui até o meu quarto e coloquei meu celular, meus documentos e outros pertences em uma bolsa e me preparei para fugir pela garagem que dá acesso direto à rua, caso eles entrassem. Gente, eu estava certa que eles entrariam na casa e também no que eles entrassem, eu sabia que eles entrariam por uma porta e eu fugiria por outra. O barulho voltou para o teto e então, eu me lembrei dos djinns. Eu estava tão nervosa que não sabia se era possível que fosse um djinn, parecia mais provável ser um ladrão. Acho que é mais fácil para nós em um momento como esse, buscar a explicação mais realista possível. Djinns eram uma possibilidade e bandidos uma realidade, ainda assim, eu fechei meus olhos com força e pedi desculpas aos djinns.
           Nossos pais voltaram e contamos a eles o que houve, eu não mencionei sobre os djinns com medo da bronca, meus pais levam djinns muito a sério e se eu falasse o que fiz, tenho certeza que no mínimo levaria uma surra, é sério. Todos pensaram que eram bandidos e ninguém dormiu antes do amanhecer, vigiando a casa. A noite toda foi aquele clima pesado e tenso, vez ou outra alguma pancada na parede ou no teto nos deixava alertas. Por volta das cinco e pouco quando já estava claro lá fora, nós fomos olhar em volta da casa, mas não havia pegadas, a grama ao redor da parede do banheiro estava amassada em uma trilha quase circular, mas nada de pegadas. A máquina de lavar do meu tio continuava lá fora na casa dos fundos, o que achamos estranho porque os bandidos da região tem fama de não perdoarem nada. Talvez, não tivessem visto já que a luz estava apagada e ela ficou apagada porque nosso tio ficou na nossa casa com a gente a noite toda para ajudar meu pai a nos proteger. A grade na porta dos fundos da nossa casa estava no lugar. Tudo estava no lugar. Na noite seguinte, esperamos que os barulhos voltassem, meu tio já estava em sua casa e manteve as luzes acesas, mas os barulhos não voltaram.
         No dia seguinte, eu estava no quintal pesquisando no meu celular sobre o que poderia ter sido aqueles barulhos quando senti uma presença atrás de mim, foi tão forte, eu sabia que era um homem, até achei que era meu tio. O cachorro estava embaixo da minha cadeira e eu passava a mão na cabeça dele enquanto mexia no celular. O cachorro me estranhou de repente e quase mordeu minha mão. Eu me assustei porque ele sempre foi dócil comigo. Ele se virou para trás de mim, rosnando e eu sabia que tinha algo ali ainda que quando eu tivesse me virado, não tivesse visto nada. Eu acho que fiquei mais assustada com o cachorro me estranhando, eu cuido dele desde quando ele era filhote. Meus pais não gostam muito dele por ele ser preto porque acreditam que cães pretos podem facilmente serem possuídos ou manipulados por djinns, ainda assim, eu insisti em ter o cachorro e sempre o protegi. Peguei a coleira e decidi prendê-lo, mas foi difícil com ele querendo me atacar, eu o arrastei com custo para a varanda e quando quis colocar a corrente no lugar de sempre e deixá-lo lá, ele surtou e quis me morder no duro mesmo, eu precisei erguer a corrente com força quase o enforcando para ele se acalmar, então, meu primo veio e o prendeu na garagem. Eu fiquei muito chateada ainda mais quando meu pai falou que ia dar o cachorro. Eu não queria isso. Dois dias depois, quando eu começava a me convencer de que seria melhor ter um labrador amarelo ou mesmo um vira-lata, eu tive um sonho estranho. Eu estava deitada na minha cama e tinha uma névoa negra acima de mim, a névoa era tão densa e grande que circundava toda a casa e no meu sonho, o meu cachorro a via e isso, o deixava tão furioso. No meu sonho, eu saía de casa correndo e me escondia embaixo das árvores, assustada. Eu não sabia onde estava minha família e não me importava. Só queria ficar a salvo. Meu cachorro veio correndo e pulou nos meus braços tão manso quanto antes, ficamos ali por um tempo até a névoa desaparecer, eu fiquei rezando o tempo todo para Alá e acho que foi isso que fez a névoa sumir, quando senti que era seguro, deixei a árvore com meu cachorro e acordei. Na manhã seguinte, quando sai para fora, meu cachorro veio correndo até mim, muito feliz e todo brincalhão, ele nunca mais demonstrou comportamento agressivo. As pancadas também não voltaram. Nunca mais mexi com djinns e sempre tento não pensar neles, é difícil, mas sempre repito "que Alá os afaste de mim e da minha casa". Hoje, quando me lembro disso tudo, tenho certeza de que não eram bandidos e sim, djinns, porque bandidos voltam... Talvez não, mas não acho que eles desistiriam tão fácil. Tomem cuidado quando forem dizer certas palavras em voz alta. Como meus pais dizem, há certas forças que o Homem não pode controlar por mais que tente. Eu ainda amo fadas e estou aprendendo muito sobre elas graças a esse blog incrível, mas nunca mais penso em mexer com djinns. O que vocês acham disso? Um beijo.©



Nota da Giovanna:


O relato foi respondido por email.
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